Interprete passo a passo, monte gasometrias e treine os distúrbios ácido-base.
Modelo didático de gasometria arterial de adultos, pela abordagem fisiológica (Henderson-Hasselbalch, compensações esperadas, ânion gap e delta-delta). As faixas de compensação são aproximações: a conclusão depende da história, do exame e de outros exames. Não avalia oxigenação, não usa a abordagem de Stewart nem base excess e não se aplica automaticamente a crianças.
abaixo: acidemia · acima: alcalemia
componente respiratório
componente metabólico
varia entre laboratórios
corrige o ânion gap
Os valores são coerentes?
O pH precisa bater com a razão HCO₃⁻/PaCO₂. Se não bater, suspeite de erro de coleta, de digitação ou de amostras de horários diferentes.
pH = 6,1 + log(HCO₃⁻ / (0,03 × PaCO₂))
Acidemia ou alcalemia?
Olhe o pH. Um pH normal não exclui distúrbio: dois distúrbios opostos podem se anular.
< 7,35 acidemia · > 7,45 alcalemia
Qual é o distúrbio primário?
Procure o valor que explica o pH. Na acidemia: HCO₃⁻ baixo (metabólica) ou PaCO₂ alta (respiratória). Na alcalemia: HCO₃⁻ alto ou PaCO₂ baixa.
o valor que vai no sentido do pH
A compensação é a esperada?
O outro sistema sempre tenta trazer o pH de volta, mas nunca corrige demais. Um valor fora da faixa esperada indica um segundo distúrbio.
Winter: PaCO₂ = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 ± 2
Quanto é o ânion gap?
Calcule sempre, mesmo com HCO₃⁻ normal. Separa a acidose por ácido não medido (AG alto) da perda de bicarbonato (AG normal). Corrija pela albumina.
AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻)
Se o AG estiver alto: delta-delta
Compara o quanto o AG subiu com o quanto o HCO₃⁻ caiu. Revela uma acidose hiperclorêmica ou uma alcalose metabólica escondidas.
(AG − 12) / (24 − HCO₃⁻)
Homem de 22 anos com diabetes tipo 1, há 2 dias com vômitos, dor abdominal e respiração profunda. Glicemia de 480 mg/dL.
Coerência dos valores
pH = 6,1 + log(HCO₃⁻ / (0,03 × PaCO₂))
6,1 + log(10,0 / (0,03 × 23)) = 7,26
pH informado e calculado coincidem: os valores são coerentes entre si.
Cada faixa colorida mostra onde caem PaCO₂ e HCO₃⁻ num distúrbio simples bem compensado. As linhas tracejadas ligam pontos de mesmo pH. Um ponto fora de todas as faixas sugere um distúrbio misto.
Acidose metabólica
PaCO₂ = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 ± 2
fórmula de Winter; atinge o máximo em 12–24 h
Alcalose metabólica
PaCO₂ sobe 0,7 por mEq/L de HCO₃⁻ acima de 24
a hipoventilação raramente leva a PaCO₂ acima de 55
Acidose respiratória aguda
HCO₃⁻ sobe 1 a cada 10 mmHg de PaCO₂
só tampões intracelulares
Acidose respiratória crônica
HCO₃⁻ sobe 3,5 a cada 10 mmHg
compensação renal em 3–5 dias
Alcalose respiratória aguda
HCO₃⁻ cai 2 a cada 10 mmHg
Alcalose respiratória crônica
HCO₃⁻ cai 5 a cada 10 mmHg
pode normalizar o pH
Faixas de ± 2 em torno do valor previsto. Fora da faixa, há um segundo distúrbio.
O ânion gap estima os ânions não medidos. Ele sobe quando um ácido novo entra (lactato, cetoácidos, toxinas) e fica igual quando o HCO₃⁻ é perdido e trocado por Cl⁻. A albumina é o principal ânion não medido: cada g/dL abaixo de 4 baixa o AG em cerca de 2,5.
AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) · AGc = AG + 2,5 × (4 − albumina), se albumina < 4
Numa acidose de AG elevado pura, o AG sobe mais ou menos o quanto o HCO₃⁻ cai. A razão entre os dois desmascara um segundo distúrbio metabólico:
Δ/Δ = (AG − 12) / (24 − HCO₃⁻)
Metabólicos
Respiratórios
Mistos